A no.w.here é uma organização sem fins lucrativos criada em 2004 por dois artistas, Karen Mirza e Brad Butler. Nasceu do ideal de resgatar o trabalho com filmes em película e com o objetivo de oferecer, de forma mais acessível, meios de produção para a comunidade de artistas locais. Hoje a equipe conta com mais três colaboradores e eles realizam diferentes atividades como workshops, debates críticos em torno da imagem e projeções. Além disso, possuem um laboratório caseiro de revelação de filmes e um e-commerce. Tudo acontece em um mesmo galpão no leste de Londres.

Quais são os desafios de administrar uma plataforma assim? Como equilibrá-la com as suas práticas artísticas? Como se tornar independente da cadeia de produção audiovisual? Em uma visita ao espaço, eu conversei com James Holcombe, cineasta e responsável pela manutenção do laboratório e de workshops na no.w.here. Ele contou um pouco da persistência no trabalho deles em ampliar a produção audiovisual para uma experiência que vai além da lógica capitalista de consumo.

foto-1

noite de projeção na no.w.here 

A no.w.here tem, hoje, 30 membros associados e em torno de 10 pessoas que vão semanalmente para desenvolver seus projetos. Através deste programa de relacionamento, eles procuram oferecer aos artistas não só o espaço para eles produzirem seus projetos, mas também as ferramentas para tal – como laboratório de revelação, câmeras e película. Inspirados na filosofia do DIY (Do It Yourself), as pessoas que por ali passam estabelecem uma relação de cooperação com o espaço. A no.w.here conta com um pequeno suporte financeiro da Agência Nacional de Arte da Inglaterra e recebeu no ano passado o reconhecimento pelo Conselho Regional da cidade como uma entidade de extrema importância para a cultural local.

“Se você pesquisar um pouco, vai ver como a indústria de certa forma nos coloca num estado de eterna suspensa dominação, nos tratando como marionetes. E precisamos estar preparados, porque isso não vai mudar até que os artistas dominem de fato seus próprios meios de produção. A indústria audiovisual está vivendo um momento interessante. No curto período de dois ou três anos, tem se falado muito da película como uma experiência semi-nostálgica e isso tem meramente um interesse comercial. Esse é apenas um dos perigos dessa dominação. É necessário pensarmos também na maneira com que você quer usar a película – o que está dentro e o que está fora do quadro da câmera?” – James Holcombe, no.w.here

Workshops são regularmente ministrados, e o próximo, “Something out of Nothing out of Something – DIY Film Emulsion Workshop”, acontece em dezembro e foi elaborado a partir de uma pesquisa feita entre diferentes pessoas que fabricam películas caseiras. A partir desta pesquisa, a no.w.here vai ensinar como você pode fazer sua própria película.

foto-2

Emulsion – DoItYourself

“Aqui estamos repensando onde deixamos as marcas das nossas digitais. Pensamos o tempo todo: onde você está deixando estas marcas?” – James Holcombe, no.w.here

Realizam um programa de residência que encoraja artistas a desenvolverem projetos em diferentes disciplinas. Artistas de diversos backgrounds já participaram, como a artista iraniana Fari Bradley, que faz performances envolvendo seu trabalho com música experimental.

Desenvolvem, também, outros projetos a partir de colaborações como o “Cinema of Prayoga”, que trouxe pela primeira vez para o Reino Unido filmes indianos experimentais; e o “Intructions for Film”, que convidou quarenta artistas a escreverem “instruções e conselhos” sobre como fazer um filme. Através do envio de simples frases escritas em pequenas cartelas brancas – dizendo, por exemplo, “seja conciso, filme apenas o necessário” – a no.w.here convidou artistas como Morgan Fisher, Yoko Ono e Pat O’Neill para enviarem colaborações.

Hoje, a no.w.here luta para ficar no mesmo espaço depois da tentativa de despejo por parte do proprietário do prédio. Apesar da campanha continuar em andamento, eles estão otimistas em relação ao futuro. Acredito que, após estes anos de existência, eles estão cientes de que são eles que vão criar as próprias possibilidades e do impacto que um espaço como este tem na comunidade. Questionando não só com perguntas, mas com respostas, a no.w.here persiste e existe.

Para ver e se inspirar mais acesse o site da no.w.here.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: