E no fim, projete-se!

A startup londrina Blaze lançou um produto bem inovador no ciclismo urbano nos últimos anos, o Laserlight. O produto é um pequeno acessório que combina luzes de LED e laser, e que vai acoplado ao guidão da bicicleta. O que ele faz é projetar a imagem de uma bicicleta à frente do ciclista, aumentando as chances de que motoristas e pedestres o vejam. Hoje, a startup recebe grandes investimentos estrangeiros e cresceu muito nos últimos anos. Mas, o que mais me chamou atenção nesta história foi o processo de criação do produto em si.

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Uma lâmpada de LED e um laser projetam o símbolo de uma bicicleta a uma distância de 6 metros a frente do ciclista.

Emily Brooke, fundadora da Blaze, não andava de bicicleta até participar de uma corrida beneficente no interior do Reino Unido há 5 anos. Após atravessar a Inglaterra de bicicleta – no famoso circuito que vai de Land’s End até John o’Grants, voltou para Brighton onde terminava sua graduação em Design de Produto e, por bike bug ou instinto, decidiu focar seu projeto de final de curso em ciclismo urbano.

Ela passou um ano realizando pesquisas para tentar descobrir qual era a maior causa de acidentes envolvendo ciclistas. Entrevistou muita gente incluindo ciclistas, motoristas de ônibus, motoristas de carro, pedestres e também pedalou muito. As pesquisas mostraram que 79% dos acidentes envolvendo bicicletas acontecem devido a colisão lateral de um veículo em uma bike. Este entre outros dados levaram Emily a concluir que o chamado ponto cego do motorista deveria ser o foco da abordagem do projeto. Foi então que surgiu a ideia de trabalhar de alguma maneira com iluminação e mais precisamente com a projeção da imagem de uma bicicleta à frente do ciclista.

”Enquanto eu estava andando de bicicleta na cidade e eu só conseguia pensar no carro ou no caminhão que não conseguiam me ver. Se eu pudesse estar apenas cinco metros na frente, eu estaria bem”. // “As I was biking around town, all I could think was that the car or truck in front of me couldn’t see me. If I could just be five yards ahead, I would be fine’’.*

Emily decidiu lançar uma campanha de crowdfunding do Laserlight no Kickstarter* em 2012. Além do literal chute de arranque, a plataforma ajudou a viabilizar principalmente um diálogo com a comunidade de ciclistas. Este diálogo ajudou a identificar não apenas que a demanda do ciclista de fato existia, mas também provou que havia uma oportunidade de mercado muito grande – o que era apenas ‘um acessório’, se tornou o core do negocio da Blaze.

A produção do laser acontece em Shenzhen, na China. Após o lançamento do produto em 2014, em menos de um ano o Laserlight ja havia sido vendido para mais de 50 países.

laserlight

O aparelho é a prova d’água, e a bateria selada internamente é carregada através de um cabo USB. O produto está a venda por 125 libras no e-commerce da empresa.

 

O sucesso da Laserlight gerou diversas oportunidades para a Blaze. No final de 2015, a empresa fechou uma parceria com a Prefeitura de Londres, o TFL (Transportes de Londres) e o Banco Santander, prevendo a instalação de lâmpadas em 11.500 bicicletas que fazem parte deste sistema de aluguel público na cidade. Um projeto grande que promete deixar Londres mais iluminada e segura para os ciclistas.

Além do Laserlight e do projeto com a prefeitura, a startup acaba de lançar um novo produto que já é considerado um dos lançamento de maior sucesso pela plataforma do Kickstarter – foram mais de 2.208 pessoas que levantaram mais de 153 mil libras. Resultado de mais de três anos de desenvolvimento de protótipos e pesquisas, o Burner é uma lâmpada traseira com um design super simples, com um preço mais acessível (45 libras esterlinas) e que promete a mesma qualidade e precisão dos outros produtos da Blaze.

 

burner

O Burner é mais um sucesso da Blaze e um case do Kickstarter.

O que aconteceu entre o momento em que a Emily decidiu participar do tour beneficente de bicicleta no interior do Reino Unido e o sucesso do último lançamento da Blaze – o Burner – no Kickstarter? Acho interessante pensar como experiências pessoais tem levado empreendedores no mundo todo a lançarem novos negócios – da empresa de sucos naturais Innocent, passando pela Blaze até a revolucionária empresa de underwear norteamericana THINX. Nestes casos parece haver uma sensibilidade maior por parte do empreendedor, o que começa no reconhecimento da demanda e que leva à ideia do produto. Acredito que esta sensibilidade – em compreender nossas próprias experiências e projetar nossas reais necessidades – seja uma abordagem tão contemporânea ao empreendedorismo quanto as demandas da própria mobilidade urbana para todos nós.

Para ver e se inspirar mais: 

Blaze 

The new Burner

The Laserlight

Kickstarter 

Santander Bikes UK 

Innocent 

THINX

Referência:

Entrevista com Emily Brooke

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